Projeto Sururu – Ciência, Comunidade e Regeneração Ambiental
O Projeto Sururu nasce de uma necessidade urgente do mangue, das comunidades ribeirinhas e do planeta. Quando geridos de forma sustentável, os manguezais são ecossistemas essenciais na mitigação das mudanças climáticas, na proteção das zonas costeiras e na subsistência de milhares de famílias. A proposta do Instituto Goiamum é simples e transformadora: dar novo destino às cascas descartadas do sururu, transformando o que antes era resíduo em ciência, renda e regeneração.
Com apoio do Fundo Estadual do Meio Ambiente (FUNDEMA), o projeto vem consolidando sua atuação como modelo capixaba de inovação socioambiental dentro da economia azul. O incentivo do FUNDEMA tem sido fundamental para o avanço das etapas de pesquisa, beneficiamento e educação ambiental, fortalecendo o elo entre poder público, comunidade e ciência aplicada à sustentabilidade.
Após anos de observação em campo, o projeto alcançou uma de suas etapas mais importantes: a comprovação laboratorial do potencial das cascas trituradas de sururu. As análises realizadas pelo laboratório FAAHFLAB confirmaram pH alcalino de 8,46, alta concentração de cálcio (35,6%) e óxido de cálcio (49,84%), além da ausência de metais pesados e microrganismos patogênicos — fatores que garantem segurança e eficácia no uso como corretivo natural de solo.
Esses resultados validam o sururu como um insumo orgânico e regenerativo, capaz de devolver vida ao solo, reduzir o descarte inadequado nos manguezais e fortalecer uma cadeia circular que une meio ambiente, ciência e comunidade.
O Projeto Sururu amplia suas frentes de atuação e hoje é também um laboratório de inovação socioambiental. Além do uso como corretivo agrícola, o material está sendo estudado em parceria com especialistas das áreas de fitoterapia, indústria cosmética e nutrição animal. A composição mineral e a pureza do pó da casca indicam potencial para aplicações em produtos dermocosméticos, suplementos naturais e rações de enriquecimento nutricional, abrindo novas oportunidades dentro da economia circular e azul.
Outros laboratórios seguem aprofundando a caracterização técnica do material, validando sua eficiência e explorando novas possibilidades de aproveitamento sustentável.
Protagonismo Feminino e Inclusão
No centro do projeto estão as marisqueiras, mulheres que conhecem o mangue como extensão da própria vida. Elas participam de todas as etapas do processo — da coleta à triagem e ao beneficiamento das cascas — garantindo não apenas renda, mas também reconhecimento e autonomia.
O Projeto Sururu reforça o protagonismo feminino e o saber tradicional como pilares da inovação socioambiental, transformando conhecimento ancestral em tecnologia social aplicada.
Mais do que um projeto ambiental, o Sururu é uma ponte entre ciência, cultura e território. Ele integra ações de educação ambiental, cultura oceânica e valorização dos saberes locais, com foco na regeneração dos manguezais da Grande Vitória. O Instituto Goiamum, com o apoio do FUNDEMA, atua para que cada comunidade ribeirinha envolvida se torne também guardiã do seu ecossistema, fortalecendo um modelo vivo de economia azul capixaba que pode inspirar políticas públicas e estratégias de sustentabilidade em todo o país.
Com base técnica validada, parcerias científicas em expansão e apoio do Fundo Estadual do Meio Ambiente (FUNDEMA), o Projeto Sururu segue avançando para se tornar uma referência nacional em inovação socioambiental e economia azul.
Seu modelo de replicabilidade permite que outras prefeituras e governos estaduais possam implementar o projeto em suas regiões, adaptando-o às realidades locais para restaurar manguezais, gerar renda e promover educação ambiental. Além do setor público, o Sururu se posiciona como uma oportunidade estratégica para empresas comprometidas com pautas ESG, que desejam alinhar seus investimentos a causas reais de impacto ambiental e social positivo.
Ao unir ciência, cultura e sustentabilidade, o Projeto Sururu mostra que regenerar é também um ato de reimaginar o futuro — começando pelo que antes era apenas uma casca.
Idealizado por Iberê Sassi, o Instituto Goiamum é reconhecido por desenvolver projetos socioambientais que aliam inovação, sustentabilidade e transformação social. O Projeto Sururu é mais um passo firme em direção a um futuro onde o que antes era invisível se torna símbolo de resiliência e mudança.