Instituto Goiamum

Projeto Sururu embarca para conhecer as haenyeo na Ilha de Jeju

PROJETO SURURU embarca para conhecer as haenyeo na Ilha de Jeju, na Coreia do Sul e busca inspiração para valorizar marisqueiras do Espírito Santo.

Quando pisei na Ilha de Jeju, na Coreia do Sul, senti algo que não esperava: uma espécie de déjà-vu emocional. Era como se, a milhares de quilômetros do Brasil, eu estivesse diante de um espelho — só que esse espelho refletia o futuro que desejo para o Espírito Santo.

 

Fui até lá para conhecer de perto a história das haenyeo, mulheres mergulhadoras que, por gerações, sustentaram suas famílias e suas aldeias coletando frutos do mar com coragem, sabedoria e uma relação íntima com o oceano. Durante décadas, essas mulheres foram invisíveis, desacreditadas, associadas à pobreza e ao atraso. Mas algo mudou. 

 

Hoje, as haenyeo são Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Elas têm museus, estátuas, centros de visitação, documentários, homenagens e — acima de tudo — respeito nacional e internacional.

 

Jeju se vestiu de orgulho. As ruas contam a história. As escolas ensinam suas histórias. O turismo cultural floresceu. O mundo quis ouvir, e a Coreia do Sul se preparou para contar.

E foi aí que me perguntei: por que não nós?

Aqui no Espírito Santo, as marisqueiras que vivem nos manguezais carregam a mesma força ancestral. Elas conhecem o ritmo das marés como quem escuta o tempo. Carregam no corpo a história de um povo. Alimentam comunidades. Cuidam da vida. Mas, assim como as haenyeo no passado, ainda são pouco vistas. Invisíveis para muitos. Romantizadas por alguns, esquecidas por tantos.

 

O Projeto Sururu, do Instituto Goiamum, nasceu justamente para quebrar esse ciclo. Porque as histórias precisam ser contadas com dignidade, urgência e estratégia. O que vi em Jeju não foi apenas um caso de valorização cultural. Foi uma política pública, uma decisão coletiva, uma escolha de país.

 

E nós? Já temos o que é mais difícil: a beleza do território, a força das mulheres, a sabedoria tradicional, a cultura viva. Falta o resto — e é possível fazer.

 

Por isso, mais do que uma viagem, minha ida à Coreia do Sul foi uma confirmação: o Espírito Santo tem um patrimônio humano pulsando entre raízes de mangue. Cabe a nós transformar essa história em orgulho, presença e política. Mostrar para o mundo que aqui também existem mulheres do mar. E que, se quiserem conhecer o futuro do turismo regenerativo, da cultura viva e da economia azul no Brasil, devem começar pelo mangue capixaba.

 

Conheça o Instituto Goiamum e o Projeto Sururu. Porque toda grande transformação começa quando uma história é finalmente ouvida.