A história do Projeto Sururu no Espírito Santo é um exemplo inspirador de como ciência, comunidade e meio ambiente podem caminhar juntos pela regeneração do planeta. Idealizado pelo Instituto Goiamum, o projeto nasceu da observação das dificuldades enfrentadas pelas comunidades ribeirinhas e marisqueiras que vivem do mangue e da pesca artesanal. O descarte das cascas de sururu, antes visto como um problema ambiental, tornou-se o ponto de partida para uma transformação socioambiental sem precedentes.
Tudo começou com a percepção de que toneladas de cascas de sururu eram jogadas fora diariamente, poluindo manguezais e praias da Grande Vitória. Com apoio técnico e científico, a equipe do Instituto Goiamum iniciou estudos para entender o potencial desse material natural. As análises laboratoriais comprovaram que o pó da casca possui alto teor de cálcio e pH alcalino, características que o tornam um corretivo natural de solo, seguro e eficiente para a agricultura orgânica.
Esse marco deu início à primeira fase do Projeto Sururu, financiada pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (FUNDEMA). Com o incentivo, o Instituto Goiamum estruturou um modelo pioneiro de inovação socioambiental dentro da chamada economia azul capixaba, que valoriza o uso sustentável dos recursos marinhos.
Mas a história do projeto vai além da ciência. No coração do Sururu estão as mulheres marisqueiras, que há gerações vivem do mangue. Com capacitação, inclusão e reconhecimento, elas se tornaram protagonistas do processo produtivo — da coleta das cascas ao beneficiamento do material. Assim, o projeto fortalece o protagonismo feminino, gera renda sustentável e valoriza o saber tradicional das comunidades.
Com os resultados científicos validados, o Projeto Sururu se expandiu para novas áreas de pesquisa, explorando o uso do pó de sururu em fitoterapia, cosméticos naturais e nutrição animal. Essa diversificação mostra o poder da economia circular e da sustentabilidade ambiental, transformando um resíduo em produto de valor ecológico e econômico.
Hoje, o Sururu é reconhecido como um modelo capixaba de regeneração ambiental, com potencial de ser replicado em outras regiões do Brasil. Sua história representa a união entre ciência, cultura e meio ambiente, provando que é possível gerar impacto positivo para as pessoas e para a natureza ao mesmo tempo.
O futuro do Projeto Sururu no Espírito Santo é promissor. Com novas parcerias, apoio de instituições públicas e privadas e o envolvimento da sociedade, o projeto segue crescendo como símbolo de inovação, sustentabilidade e esperança.